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Biologia da interatividade: sujeito interfaceado, corpo biocibernético, homem simbiótico

28 de Outubro de 2013, 22:04 , por Carla Rocha - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Licenciado sob CC (by)

Com as tecnologias numéricas e os estados de interatividade e de imersão em ambientes virtuais, vivemos uma biologia da interatividade (De Kerckhove:1995), em mesclas do biológico e do artificial, com computadores cada vez mais biológicos, interfaces mais adaptáveis ao corpo, processadores e redes mais velozes e softwares mais performáticos que simulam processos mentais. É um outro corpo, um “corpo biocibernético” denominado por Santaella, ao qual Carol Gigliotti atribui toda uma série de mudanças físicas, mentais, sensoriais, perceptivas e cognitivas. São gerados processos de comunicação numa zona intervalar, entre o corpo e as tecnologias por biofeedbacks e technofeedbacks entre o mundo físico e o corpo do sujeito interfaceado que experimenta mundos com os efeitos mágicos e inesperados das tecnologias. O corpo interage com sistemas através de computadores e interfaces, hardware e software, que oferecem comportamentos em aspectos biológicos e emocionais processando sinais biológicos e artificiais. Nas interações em ambientes numérico-digitais, o corpo do participante está conectado ao ambiente na qualidade de um “sujeito interfaceado”, (Couchot:1998) e usa robôs, câmeras, sensores, luvas, teclados, capacetes ou outro dispositivo de acesso para entrar nos dados de mundos virtuais. Nesta direção, Joel De Rosnay (2000: 159-165), em seu L’homme Symbiotique, evoca, para o terceiro milênio, a condição de simbose com os mundos gerados nos computadores que sendo virtuais na sua natureza de linguagem calculada são realidades de um real que está além da aparência das coisas. O software ou programa que rege esses ambientes “mente” ou simula experiências espaciais e temporais e devemos nos dar conta que existem outras formas de compreensão do universo quando se trata de ambientes de realidade virtual ou de vida artificial que estão situados em um novo paradigma de realidade: aquele da ciência da complexidade, por estados de emergência que vão desencadeando realidades efêmeras. O corpo que vive nesses ambientes faz parte de um sistema complexo, com seu cérebro, seus músculos, suas células, seus neurônios em estados de simbiose com um ecossistema artificial, em estados de extrema complexidade, onde o mundo artificial em sua estrutura numérica se auto-organiza. Não é mais uma janela para se contemplar alguma cena, mas um lugar que vai sendo vivido, em descobertas vividas no ciberespaço. É um lugar para se entrar e agir. Segundo De Rosnay, não se trata de um super-homem, nem de um bio-robô, mas de um homem simbiótico, em estado de total integração com essa natureza artificial. Para o autor, a realidade virtual oferece experiências que não podem ser esquecidas e que estão no limite do sonho, abrindo uma situação radicalmente nova na forma e nos modos de comunicação vividos nesses mundos virtuais. Pode- se atravessar paredes, voar sobre paisagens, respirar e se deslocar no ambiente, matar inimigos, em situações que podem ser retomadas novamente, após uma primeira experiência e revividas também por outras pessoas.

Nessas modalidades de arte ocorrem atos colaborativos, para o corpo conectado a ambientes virtuais. Ao estarmos conectados, vivemos um processo de existir em memórias exteriores ao corpo, em uma situação de trânsito, de passagem, o que pode ser pensado a partir do antropólogo italiano Mario Perniola em suas teorias sobre transe e ritual. As memórias externas nos transformam em seres potenciais, capazes de existir e pensar acoplados às máquinas.

 

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