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Procura-se Aluno para projeto de TCC

19 de Abril de 2015, 0:12 , por Fabiano Araujo Soares - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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 PROCURA-SE ALUNO (OU DUPLA DE ALUNOS) PARA DESENVOLVER O SEGUINTE PROJETO JUNTO AO JARDIM BOTÂNICO DE BRASÍLIA

 

interessados entrar em contato pelo e-mail: fabianosoares@unb.br

 

Projeto de Monitoramento da Puma Concolor, Chrysocyon Brachyurus e Myrmecophaga tridactyla por Radiotelemetria na Estação Ecológica do Jardim Botânico de Brasilia.

 

INTRODUÇÃO

 

Na Estação Ecológica do Jardim Botânico de Brasília - EEJBB ocorrem várias espécies de animais, das quais 23 se encontram na Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (MMA, 2014), entre elas a onça-parda (Puma concolor), Lobo-guará (Chrysocyon Brachyurus) e o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla). Estas espécies silvestres vêm sofrendo fortes pressões resultantes da destruição de seus hábitats naturais.

O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, e vem sofrendo ameaças resultantes de atividades antrópicas o que põe em risco sua diversidade biológica e endemismos. Essas ameaças o incluem entre os 25 “hotsposts” para a conservação biológica no mundo. Estes “hotsposts” foram classificados conforme o seu grau de ameaça, que avaliou a combinação entre redução de sua área natural e número de espécies endêmicas (Mittermeier et al., 2002).

As técnicas de radiotelemetria buscam, em geral, elucidar padrões de movimentação, territorialidade e utilização de recursos, bem como avaliar parâmetros demográficos, tais como densidade, sobrevivência e dispersão de uma determinada espécie (JACOB & RUDRAN, 2003; SOISALO & CAVALCANTI, 2006), além de obter o padrão de distribuição espacial dos animais, informação dificultada por outras técnicas (SCOSS et al., 2004). A telemetria por GPS (Global Positioning System) tem sido especialmente empregada para espécies que utilizam grandes áreas, como a jaguatirica (Leopardus pardalis), a onça pintada (Panthera onca) e o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) (BANDEIRA DE MELO, 2007; HAINES et al., 2006; SOISALO & CAVALCANTI, 2006). Porém, a técnica convencional, via sistema de freqüência de ondas de rádio VHF (Very High Frequency), tem obtido relativo sucesso na obtenção de dados sobre espécies de grande porte, como lobos guará (LOGAN & SWEANOR, 2001; DIETZ, 1984) e diferentes subespécies de puma (P. concolor azteca e P. concolor coryi) (KAUTZ et al., 2006).

 

Nesse sentido, são consideradas “espécies guarda-chuva”, numa alusão a uma cobertura total das exigências ecológicas de toda a comunidade onde ocorrem, como “espécie-bandeira”, por conseguirem atrair toda a atenção necessária para a mobilização de campanhas ambientais, e como “espécie-chave”, por cumprirem importantes funções de manutenção do equilíbrio da comunidade, influenciando diretamente nas populações de suas presas e indiretamente nas populações animais e vegetais relacionadas a estas (Miller & Rabinowitz,2002) Assim sendo, a equipe técnica do JBB necessita de tecnologias para o monitoramento como o uso de chips que, colocados nos animais, permitam rastrear pelo menos um exemplar de cada família selecionada (Tabela 1) em seu habitat natural.

 

Tabela 1. Espécies a serem monitoradas.

Família

Nome comum

Nome Científico

Felidae

onça-parda

Puma concolor

Carnidae

lobo-guará

Chrysocyon Brachyurus

Myrmecophagidae

tamanduá-bandeira

Myrmecophaga tridactyla

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Conhecer a área de vida das espécies no EEJBB;
  • Verificar se há sobreposição de área de vida entre indivíduos das espécies;
  • Descrever o padrão de atividade das espécies;
  • Descrever o padrão de utilização de hábitats;
  • Descrever a dieta das espécies;
  • Avaliar a situação de conservação das espécies no Cerrado;
  • Identificar e caracterizar os principais corredores de dispersão para essas espécies na EEJBB.

 

 

Referencias Bibliográficas

 

BANDEIRA DE MELO, L. Secret lives of maned wolves (Chrysocyon brachyurus Illiger, 1815): as revealed by GPS tracking collars. Journal of Zoology, v. 271, p. 27-36, 2007. Disponível em: . Acesso em: 15 abr. 2010. doi: 10.1111/j.1469-7998.2006.00176.x.

DIETZ, J.M. Ecology and social organization of the maned wolf (Chrysocyon brachyurus). Smithsonian Contribuitions to Zoology, v.392, p.1-51, 1984. Disponível em: . Acesso em: 21mar. 2010.

HAINES, A. et al. First ocelot (Leopardus pardalis) monitored with GPS telemetry. European Journal of Wildlife Research, v.52, p.216-218, 2006. Disponível em: . Acesso em: 21 mar. 2010. doi: 10.1007/s10344- 006-0043-5.

JACOB, A.A.; RUDRAN, R. Rádio telemetria em estudos populacionais. In: CULLEN, L. et al. (Eds.). Métodos de estudo em biologia da conservação e manejo da vida silvestre. Curitiba-PR: UFPR, 2003. 667p.

KAUTZ, R. et al. How much is enough? Landscape-scale conservation for the Florida panther. Biological Conservation, v.130, p.118-133, 2006.

LOGAN, K.A.; SWEANOR, L.L. Desert Puma: evolutionary ecology and conservation o an enduring carnivore. Washington, DC.: Island, 2001. 463p.

MMA, Ministério do Meio Ambiente. 2014. Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção. Fundação Biodiversitas, Brasília/DF, Volume II. 1420p.

Miller, B. e Rabinowitz, A. 2002. Por que conserver al jaguar? In: Medellin, R. A.,Chetkiewicz, C.; Rabinowitz, A.; Redford, K. H.; Robinson, J. G.; Sanderson, E. e Taber, A. (eds.). Jaguars in the new millennium. A status assessment, priority detection, and recommendations for the conservation of jaguars in the Americas. Mexico D. F., UNAM/WCS.

Mittermeier, R. A.; Myers, N. Gil, P. R. e Mittermeier, C.G. 2002. Hotspots: Earth’s Biologically Richest and Most Endangered Terrestrial Ecoregions. Conservation International, 430p.

SCOSS, L.M. et al. Uso de parcelas de areia para o monitoramento de impacto de estradas sobre a riqueza de espécies de mamíferos. Revista Árvore, v.28, p.121-127, 2004.

SOISALO, M.; CAVALCANTI, S. Estimating the density of a jaguar population in the Brazilian Pantanal using camera traps and capture-recapture sampling in combinations with GPS radiotelemetry. Biological Conservation, v.129, p.487-496, 2006. Disponível em: . Acesso em: 18 maio, 2010. doi:10.1016/j.biocon.2005.11.023.